Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Representação

Mais do que ver, sentir!
"O essencial é invisível aos olhos."
Saint-Exupéry, in O Pequeno Príncipe

Nas definições iniciais de representação, como a dada por São Tomás de Aquino no século XIII, prevalece a ideia de uma estreita relação entre um objecto e o conhecimento que dele se tem. Mais tarde, Guilherme de Ockham (séc. XIV) distingue três acepções para a representação: o conhecimento ou a ideia de uma representação como um meio ou veículo pelo qual assimilamos algo; a imagem de algo já conhecido e, daí, uma forma de memória; o estímulo ou causa de um conhecimento.
A evolução da definição de representação está ligada à própria evolução da representação na arte. Esta tem-se alterado ao longo dos tempos, sofrendo uma grande viragem com o surgimento da fotografia. Antes disto a arte baseava-se numa representação mais concreta e realista, quer fosse na arte pré-histórica, quer, por exemplo, no Renascimento. Quer a representação fosse mais detalhada ou mais estilizada, ambas reproduziam situações reais ou possíveis. Com a fotografia questionou-se essa necessidade, e desde então que a representação tomou formas cada vez menos figurativas. Isto levou a um experimentalismo cada vez maior, tal sendo, hoje em dia, quase um palavra de ordem nas artes de vanguarda.
Na nossa época praticamente só é real aquilo que for traduzido em imagens, substituindo-se a experiência por representações da mesma, sendo que a noção de representação refere-se basicamente à relação entre os sujeitos e o mundo. Actualmente a imagem é muito representativa, sendo a estética imagética que deve ser aceite hoje imposta pela sociedade através dos seus variados meios. Assiste-se a uma padronização agravada pelos média, podendo afirmar-se que vivemos num despotismo estético. A efemeridade é uma das características das representações difundidas pelos média, a ?novidade? é usualmente considerada um valor em si e poucas representações duram o tempo suficiente para serem assimiladas pela cultura da nossa sociedade. Assim, podemos dizer que os média impõem uma série estereótipos difundidos por uma profusão de imagens à sociedade contemporânea, mais especificamente, forjando, de certo modo, as relações sociais entre os jovens, que são mais susceptíveis ao consumo da imagem ditada pela moda. Hoje em dia é muito difícil fugir a este cenário, mas o designer deverá dar resposta a esta situação, não fugindo ao mercado, mas sim ao ?fazer para vender?. Assim, deverá ultrapassar esta tendência tentando aliar ao produto uma visão sensível e informada, recheada de conteúdo, não olhando unicamente
para o seu fim de uma forma directa e despida, o que conduzi-lo-ia a uma solução vazia, propícia a ter uma atenção fugaz.
Sendo que o público em geral está inevitavelmente toldado a todo este fervilhar de apelos visuais, e à novidade cada vez mais rápida, o designer deverá estar também atento ao que é apelativo, às novas ferramentas, a todas as novidades em geral dos vários sectores, assim como ao domínio da técnica. Mas, mais uma vez, o essencial é não limitar-se a isso e ultrapassa-lo, é pôr sentido nisso. Terá de saber atender ao cliente nunca pondo em causa os ideais que regem o design.Para viabilizar os seus projectos, deverá então o designer estar em constante aprendizagem, quer artística, cultural, social, quer técnica. Tudo isto para, como se espera, unir o útil ao agradável.
Acima de tudo o designer, muito para além de observar, deverá sentir e entender.

Joana Vieira #2913