Sábado, Fevereiro 05, 2005

Ciberespaço: a politica do pior

Na minha opinião o problema do poder , não se encontra apenas ao nível da velocidade e da informação, este problema tem origem no particular e acaba por influenciar o geral. Ou seja, eu penso que tudo isto começa num conflito entre o Eu interior e o meio exterior. Trata-se de um problema de ódio e vazio interior, um problema de subjugação e um problema de responsabilidade.
Uma pessoa que não é capaz de encontrar um equilíbrio entre o seu mundo interior e o mundo exterior torna-se pessoa sem opinião e sem vontade própria, apenas sente, pensa e age de acordo com conceitos pré ? fabricados, portanto não têm opinião, uma pessoa sem opinião é influenciada mais facilmente por qualquer informação, pelos media.
Uma pessoa tem duas opções na sua formação ou se torna autónoma ou subjuga-se ao poder, para obter benefícios ou vir a fazer parte dele. Quem se subjuga foge à responsabilidade, porque apenas cumpre ordens. Um pequeno exemplo disto pode ser o caso dos reféns iraquianos que foram abusados por soldados das tropas Americanas, em que os soldados referem qualquer coisa como: "tínhamos ordens para apertar com eles."
Na sociedade existe uma confusão entre responsabilidade e obediência, "ser responsável é ser bom, ser bom é ser obediente, ser livre é não obediente ,e se não é obediente provoca desgosto, então não poderá fazer parte do poder."
Ser responsável não se trata de obediência, a responsabilidade tem de existir em nós próprios, nas nossas relações entre o interior e o exterior, temos de julgar a informação e os deveres que se confrontam conosco segundo uma perspectiva humana que só é possível se houver um equilíbrio em nós próprios.
Pensando no que é a responsabilidade, será que Durão Barroso, enquanto primeiro ministro e enquanto ser humano, alguma vez se sentiu responsável, pelo apoio que deu aos Estados Unidos, das mortes provocadas da guerra do Iraque, seres humanos. Ou estaria apenas a subjugar-se ao poder dos Estados Unidos na esperança de beneficiar ou de fazer também parte do poder? ( Eu não sei, não conheço o homem e não sou psicóloga.) Mas uma vez vi a mãe dele na televisão e não me pareceu uma senhora muito amorosa, o que me leva a acreditar que provavelmente Durão Barroso quando era criança teve carências afectivas, e começou a nutrir ódio por si próprio. Uma pessoa que se odeia provoca destruição, e não se sente responsável por nada, era bem capaz de abandonar as suas obrigaçoes em troca de mais poder.
Ora, se a sociedade fosse composta por indivíduos responsáveis e conscientes seria muito provável que a maioria dos problemas não existisse, não haveria quem tentasse dominar alguém através de informação, a informação que é poder. Neste caso era capaz de acreditar que o grande acidente tecnológico que Paul Virilio anuncia nunca iria existir. Mas como as coisas nunca iriam acontecer desta forma, e hão-de sempre existir pessoas que apenas acreditem numa política de poder, acho provável que venha a acontecer um grande acidente tecnológico .
A questão está no facto das pessoas interagirem com o seu interior, tornando as suas acções mais humanas, políticas e territoriais para não caírem num virtualismo mortal, acredito que que assim que assim todos os problemas tecnológicos que nos aparecerem não serão tão graves e terão sempre uma solução .
"Há uma ameaça considerável de perda de outro, de declínio da presença física em proveito de de uma presença imaterial e fantástica". Paul Virilio
Acho que cada vez mais caminhamos para o isolamento, apesar das facilidades de comunicação que as tecnologias nos trazem, cada vez somos mais manipulados pelas opiniões comuns, e cada vez mais a singularidade do nosso interior se insola num mundo escuro e escondido. Passamos a fazer parte de uma massa comum sendo cada vez menos singulares e procuramos conforto no irreal (porque é mais fácil do que confrontar a realidade), no virtual que é fantástico e obedece a todas as nossas vontades.

Ana Cristina Lapa Viana nº3151